quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A MORTE NÃO CAUSA MAIS ESPANTO


Texto e foto: Rogério França

  Com o seu  projeto quase  concluído, Rui Gonçalves admite ter outra visão a respeito da morte

Baseado no livro As Intermitências da Morte, de José Saramago, dois alunos do curso de Jornalismo da Faculdade Maurício de Nassau decidiram abordar a morte como tema do seu projeto de conclusão de curso.  O escritor português relata em sua fábula, um período em que o óbito resolveu suspender suas atividades em um determinado País.  Inicialmente, a reação dos habitantes daquele lugar foi de euforia, pois dessa forma todos passariam a ter vida eterna.  Mas, ninguém contava com os transtornos que a falta de falecimento causaria à população.

Inspirados no livro, os estudantes Rui Gonçalves da Luz e Nathália Ferraz decidiram fazer um caderno especial com essa personagem e o grande mercado que ela movimenta.  O início da apuração foi definido com base nos conflitos apontados por Saramago, caso nosso organismo resolvesse manter seus sinais vitais para sempre. Segundo a narrativa do escritor, a política, economia e a religião, seriam as áreas mais afetadas. No texto, enquanto pessoas de outros lugares se interessavam pela idéia de não precisar depender da ressurreição, alguns habitantes daquela Nação desejavam alcançar a fronteira para assim, recuperar o direito de poder morrer um dia.

“Sou leitor de Saramago e foi lendo As intermitências da Morte que me surgiu essa idéia. A Faculdade exige temas inéditos e interessantes para o TCC e eu apostei que este assunto atenderia as exigências. Sugeri a leitura para Nathália e resolvemos levar o projeto adiante”, afirma Rui.

A reportagem terá cerca de vinte páginas, onde a morte será apresentada como uma forma de controle social, indispensável para manter a ordem das coisas.  O texto apresentará, de maneira natural, quem são as pessoas que lidam diretamente com o encerramento da vida: peritos, auxiliar de necrotério, médicos, entre outros- e como eles percebem-a de forma diferente. Mostra, ainda, sua forte presença em todas as religiões, ou seja, sem a morte não haveria religião.

Por outro lado, todos temem falar sobre esse assunto. Isso, de certa forma, dificultou a apuração que durou cerca de oito meses. “A maior dificuldade foram as fontes oficiais. Há um grande interesse em esconder informações. Há verdadeiros cartéis  envolvendo funerárias, hospitais e outras instituições, mas  isso é só um projeto, não devo fugir do meu propósito. O mais importante é que estamos concluindo  e  faremos sua defesa no dia 13 de dezembro”, comemora  ansioso.

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